13 de fevereiro de 2009

Monologar VIII

- Hei! Já está em casa? Pergunta "Uma delas".
- Hei! Sim, hoje não sai…
- Não saíste? Então? Que se passa? Isso nem parece, teu!
- Não se passa nada. Hoje deixei a minha veia caseira apoderar-se de mim…
- Muito bem, muito bem… E já almoçou?
- Estou farta de comer! Por isso é que não gosto de estar em casa o dia todo… Parece que estou sempre com fome. Credo!

“Uma delas” ri-se daquela expressão de arrepio de nojo da “outra”.

- Apetece-te uma taça de vinho, enquanto me contas o que te vai na cabeça?
- Quem disse que me vai alguma coisa na cabeça? Interroga desafiante a "Outra".
- Tens um balão a sair-te dela, com uns símbolos estranhos que não consigo decifrar…
- Ahah, que piada! Bem dispostinha a menina, hem?
- É, parece que sim…
- Ok, sabes que não resisto a uma prova de vinho...

“Uma delas” vai buscar o vinho. Senta-se junto da “outra”, enquanto lhe dá a garrafa para a mão e diz num tom de provocação:
- Tenha a bondade de abri-la, por favor!

“A outra”, com um ar de gozo envaidecido segura a garrafa e começa a fazer o ritual da prova do vinho. Ouve o som da garrafa a abrir, cheira a rolha, ouve o vinho a sair da garrafa para o copo, eleva o copo à claridade, observa-lhe a cor, faz mexer o copo em pequenos círculos para que o vinho se movimente em espiral, observa-lhe a gota, inspira o aroma. Faz uma pausa e a sua expressão facial ganha contornos de quem está a provar o cheiro. De seguida coloca um pouco de vinho na boca e bochecha. Engole o vinho e mastiga o sabor. Faz uma cara satisfeita com a prova!

- Que tal? Pergunta “uma delas”.
- Muito boa escolha. Agrada-me muito, mesmo! Como se chama?
- “Capote – Reserva de 2005”, sugestão de A.M.
- Essa senhora tem muito bom gosto com os vinhos, sem dúvida! Elogia a “outra”.
- Enquanto estava a ver este vídeo surgiu-me uma pergunta. Vê primeiro e eu explico-te depois. A ver vamos se consigo… termina “a outra”.








- Sim… diz “uma delas”, enquanto aguarda o pensamento da “outra”.
- Achas que é possível compreender certas características das pessoas, pelo tipo de indivíduos que elas apreciam? Eu explico melhor. A personagem do filme(nome da actriz: Lisa Ray), que aparece inicialmente de robe branco, exemplifica o género de beleza exterior que gosto de apreciar numa mulher. Achas que, através deste meu gosto, as pessoas conseguem compreender certas características da minha pessoa? Entendes o que quero dizer?
- Não tenho bem a certeza. Mas deixa-me ver se entendi. Queres tu dizer que, se eu te tivesse acabado de conhecer e antes de mais nada me dissesses qual o tipo de, neste caso, mulher que tu gostas eu conseguiria deduzir alguma coisa sobre a ti, é isso?
- Sim. É isso mesmo!
- Se a M.J.R. estivesse aqui, já estava a dizer: "Eu tenho uma teoria em relação às mulheres de cabelo encaracolado! Elas são deveras complicadas!"
Bom, mas a resposta que eu te dou é mais do que afirmativa! Porém, essa análise ia reduzir e muito a tua pessoa! Porque a essa beleza exterior de que falas, as pessoas nunca saberiam que, a acrescentar a ela, valorizas bem mais a forma de andar, o olhar, o cheiro, a forma de mover as mãos, o tom de voz, a segurança… Argumenta “Uma delas”.
-Sim, eu sei! Mas não é disso que estou a falar. O que quero saber é se a característica física, (o pacote, portanto!) que gostas de apreciar pode sugerir alguma sobre ti. Por exemplo, dão-te um conjunto de 20 fotografia de mulheres. Não há qualquer movimento, certo?
- Certo. Acena “Uma delas” como sinal de compreensão.
- Logo, tu vais ter de seleccionar as fotografias que mais te agradam aos sentidos. O resultado dessa escolha vai poder definir-te em alguns aspectos? (sim, eu sei, “definir” é uma palavra forte!)
- Acredito que sim. Mas não conheço nenhum estudo feito acerca disso…
- Pois! Nem eu… Diz a outra desanimada e não confiante que “Uma delas” tivesse compreendido o seu pensamento.
- Ah! A propósito! Este vídeo é do quê?
- Sim, desculpa, esqueci-me de te dizer. É um novo filme que se chama: “I can’t think straight”. Ainda não chegou à Europa.
- Hum, ok! Interessante. Vou sair. Ficas por aí?
-Sim… Responde distraída a “outra”.
- Ciao bambina! Despede-se “Uma delas”.

1 comentário:

Amelie disse...

Em resposta ao teu comentário:

Claro que serve. São sorrissos como o teu que me aquecem a alma. Posso estar muito tempo sem o ver, mas sei que ele existe.Porque é verdadeiro e porque acima de tudo, o sinto. Sem precisar de espaço fisico e tempo real.
Porque sei que estás ai. Porque sei que estou aqui. Simplesmente.
E isso é viver, é sentir-me viva e cheia!
Obrigada amiga.
O sol brilha a espaços,sabes como sou, mas há alturas em que a dor se sobrepõe a tudo e nos deixa pequeninas...muito pequeninas.
Gosto muito de ti.
Obrigada.

Direitos de Autor

Todo o conteúdo que não seja da minha autoria será identificado e encaminhado para o site de onde foi retirado. No caso do autor se sentir lesado, por favor, envie-me um email e o conteúdo será eliminado do meu blog.