Costumava ouvi-la dizer a si mesma: "(...) Hoje em dia todos têm uma opinião sobre tudo (...)".
Têm que ter. São quase obrigados a tê-la. Se não o fizerem são, manifestamente, excluídos do grupo social.
Ela própria gostava de ser capaz, de ter a coragem de se abstrair das convenções e obrigações sociais. Não se sentia revoltada com elas... o seu espírito era naturalmente compreensivo, ainda que, nas suas veias corresse o sangue da guerreira apaixonada pelas causas.
Entretanto ocorria-lhe, quase diariamente, a ideia de transformar o seu pequeno mundo em algo muito mais belo... todos os dias procurava um motivo de inspiração. Não encontrava sempre. Porém, as vezes que encontrava sentia-se renascer do esquecimento provocado pelas convenções e obrigações sociais.
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