25 de junho de 2009

"Os sinais do medo"


Findos alguns anos de relutância em ler o romance, rendo-me às 200 e algumas páginas que compõe o livro, os "Sinais do Medo" da autora Ana Zanatti.
Depois de ver o seu programa "7 Palmos de testa", na RTP2 e ter achado interessante, resolvi saber se, Ana Zanatti tinha alguma coisa para me ensinar. Devo confessar que nunca achei muita piada à sua personalidade enquanto pessoa. Por trás daquela voz pausada, sentia uma arrogância tremenda.
Empatias, vá-se lá compreender...
A minha opinião tem vindo a mudar... devagar...
Do alto da minha arrogância, percebi que era eu que não lhe estava a dar uma oportunidade...
E comecei por visitar o seu sítio.
Deliciei-me a ler o seu perfil e compreendi a "minha pulga atrás da orelha" com a Ana Zanatti. (Que não me apetece falar dela agora... até porque já lá não está)
"Os sinais do medo". É um livro, inicialmente confuso, por apresentar muitas pessoas ao mesmo tempo. Porém, à medida que entramos na história reconhecemos a riqueza das personagens, as ideias e os ideais apresentados. A forma de escrever começa a tornar-se leve, mas de uma força de conteúdo surpreendentes.
A vida é contada sob a perspectiva de cada uma das personagens principais. 4 Mulheres e 2 Homens. Todos eles com experiências homossexuais muito intensas. Todos eles se cruzam, de uma forma ou de outra. A temática homossexual, embora central, não foi para mim o mais importante. Há coisas que ultrapassam os rótulos sexuais. O que realmente me inquietou (positivamente) foi a mensagem adjacente a isso. Que a verdade só em nós existe... que não vale a pena tentarmos viver a verdade dos outros. É um terreno extremamente perigoso.
Posto isto, as questão que tenho feito tornaram-se francamente pertinentes à minha pessoa...


* Será que esta lucidez só pode ser sentida anos mais tarde, quando já estamos cheios de cicatrizes, medos e vícios de sentir?

* Será que a culpa e os medos (sei lá eu do quê! da vida dos outros?) algum dia podem ser perdoados?


Enfim...
É uma leitura que vale a pena. É um tributo ao amor, à cúmplicidade, ao companheirismo, à amizade, às vidas que se cruzam por uma razão ou outra...

Bem haja.

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