3 de abril de 2010

da minha alma nasce isto

Se fechar os olhos consigo sentir a brisa na face...
Não é fria nem quente... Não é Primavera, nem Verão nem Outono nem Inverno...
É apenas um dia algures num tempo que não existe... Num dia que não tem horas...
Os meus pés estão descalços e enterram-se na terra castanha como se precisassem de criar raízes... Abro os braços e inclino a cabeça para trás para deixar o meu corpo receber todo aquele calor que vem do horizonte pintado de vermelho...
Respiro fundo e começo a correr. devagar. de olhos fechados. mais rápido. confio no chão que piso, no cheiro que sinto entrar pelos meus pulmões a dentro... A minha respiração torna-se ofegante, o meu corpo treme do impacto dos pés na terra escura... os meus olhos continuam fechados como no início...
é tão bom não ter tempo dentro de mim e poder correr para o infinito sem nunca morrer! Porque a morte não existe na sua complexidade mas sim na sua simplicidade...
Páro e oiço.me respirar. o peito sobe e desce, sinto um pingo de suor escorrer ao longo da face e cair na terra limpa... deixo os meus joelhos tombarem e assim me deixo ficar até o sol se pôr e a lua me vir buscar...



Mari Boine - Elle


Um dia vou ter um monte alentejano, com uma casinha branca no cimo.
Um dia mudo-me para o campo e planto-me lá.

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