"Porque sempre volto a Mexia
«Em quase todas as sociedades ocidentais, dois terços ou mais das pessoas dizem que são «felizes». Eis a felicidade como «estado de espírito declarado», isto é, como auto-ilusão. Quando uma pessoa anuncia que é «feliz», há um contentamento narcísico nesse anúncio, mesmo que o facto seja manifestamente falso. Conheço gente com vidas miseráveis que repete bem alto que é «feliz». E também conheço, em muitos casos, a medicação que eles e elas tomam para que a sua «felicidade» brilhe. As pessoas que se dizem «felizes» estão interessadas em obter o estatuto de «felizes», em serem reconhecidas pelos outros como pessoas felizes, mesmo que isso seja um logro. Dizem que são felizes como alguém diz que comprou um objecto que está à venda. Esperam que esse objecto as torne mais completas.»
Francamente?!
Não, francamente, não compreendo a leviandade das pessoas ao escreverem coisas destas.
Aposto que se eu lhe perguntar "está tudo bem?", ele ou ela me vão responder: "Não! Está tudo mal! Sou uma pessoa tão, mas tão infeliz que olha aqui estou e me deixo estar..." |e vai de começar a contar toda a porca miséria de sua vida|.
A felicidade é uma forma de estar. NÃO TEMOS DE ANDAR TODOS INFELIZES, CHEIOS DE OLHEIRAS E DE MAL COM A VIDA SÓ PORQUE PARECE MAL SER FELIZ!
Tenham paciência, sim!?
Talvez, caro senhor, ainda não tenha compreendido que convencermo-nos (e dizermos!) que estamos bem e felizes (mesmo que estejamos enterrados em merdum até ao pescoço) a vida nos corra melhor e acima de tudo porque nos escapamos de perguntas insdiscretas tipo: "Mas o que é que foi? O que é que se passa? Queres falar sobre isso? Ai olhe, tenho o remédio ideal para si: veja lá o contacto deste fulano sicrano (entenda-se psiquiatra ou psicólogo...) que ele é fabuloso!". Atenção: não tenho nada contra tais profissionais.
Se querem mesmo saber se as pessoas são infelizes, interessem-se por elas. Não vos dou 5m para elas dizerem: "Sim, está tudo mais ou menos, uns problemas aqui, uns problemas acolá...", corridos 10m já vos estão a dizer: "divorciei-me, estou enterrado em divídas, bati com o carro, vou ser despedido... bláblá!" e à meia hora estão a chorar-vos aos ombros (nos dois, porque só um não chega!)...
Mais, aposto que metade (metade? tão simpática que fiquei, de repente!) de nós, não tem paciência para ouvir os problemas dos outros, a não ser que:
1) Sejamos obrigados, porque o trabalho a isso obriga;
2) O queixoso seja nosso amigo (muito amigo!) |e mesmo assim, às vezes, em casos extremos, temos vontade de abaná-lo umas poucas vezes;
3) Seja da família (mãe, pai, irmão, avó, alguns tios/as, alguns primos/as e pouco mais...)
4) Não me ocorre mais...
5) Ah! Esqueci-me 'duma: quando somos apanhados em plena sala do centro de saúde, por uma idosa chata que nem uma porta e nos desata a falar e a falar e a falar só porque, infelizmente, temos aquela cara simpática de "Podem contar-me tudo que eu quero saber!"
Expressada a minha opinião indignada sobre palavras tão (estas sim!) infelizes, gostava de saber o que o levou a escrevê-las. Em que contexto é que elas apareceram...
Pensando melhor... deixe lá... prefiro não saber!
Será que esta atitute faz de mim:
1) Parva
2) Estúpida
3) Uma pessoa igual às outras
4) Uma mulher em que o período teima em não aparecer
3 comentários:
Eu acho que é mais a última hipótese minha querida..Tem calma..;)
o mundo divide-se entre as pessoas que percebem o que foi escrito, e as que não. este post ilustra bem de que lado está.
Obrigada pelo comentário.
Esteja lá eu ou você do lado que estivermos.
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