Eu até nem vejo (tenho) televisão em casa. mas quando tenho tempo, espaço (que é como quem diz em casa dos pais - num fim de semana em que não está ninguém - ou em casa da Mariazinha) e alguma disponibilidade emocional (haja vocabulário requintado! Lol), arrumo-me bem arrumadinha na anaconda (entenda-se, sofá.) e lá fico, all afternoon long.
Enquanto fazia zapping que é das actividades que mais me aborrece fazer (de verdade!), tropecei na TVI e eis se não quando... "Kissing Jessica Stein" estava a dar.
É um filme de temática LGBT, bastante soft devo dizer, e cá para nós só passa na televisão a estas horas e a um sábado porque, admirem-se, o "the end of story" é com um tipo. "Uuuuhh, a homossexualidade tem cura!". Eu sei, eu sei! Sejamos razoáveis, histórias de amor há muitas, não é? Pronto, que seja!
Bom, não venho eu divagar sobre estas coisas de: ah,"eu aceito e compreendo, mas lá longe!", mas sobre algo que me fez... digamos... pensar... (para variar!)
A Jessica, personagem hetero, é uma tipa histérica, fala pelo cotovelos, acelerada, arrumadinha, certinha, organizadinha, intelegentinha, bonitinha e todas aquelas palavrinhas que têm um inha(o) no fim de tão perfeitinhas que são! Ou seja: totally boring!
Mas, e porque há sempre um mas, a moça tinha algo que me fez dar um nó nos neurónios sobretudo porque me revejo nela.
A exigência!
Pois é...
Como é evidente, é assunto sobre o qual já tenho pensado!!
(Ela há alturas dos meses em que estamos mais sensíveis com as palavras, não é? Eu estou nessas mesmas. Hoje é um dia sensível que mais coisa menos coisa pode descarrilar para o-feitio-que-ninguém-quer-sentir-na-pele!)
A Jessica:
Queria o homem perfeito, o homem inteligente, o homem bonito, muito bonito, o homem que lhe levasse o pequeno almoço à cama, que não desse erros a falar sem dar por eles, o homem cheiroso, o homem... enfim... vocês sabem.. costuma vir descrito nos livros infantis como o princípe que, na idade adulta, as panhonhas das mulheres descobrem que, ups, eles sempre foram gays!
Acabou por encontrar uma Helena que "lh'abanou" as estruturas todas!
Eu:
Quero a mulher que embora não seja perfeita, seja uma mulher inteligente, bonita, muito bonita, que me leve o pequeno almoço à cama, cheirosa, que me saiba fazer o amor e o sexo, que saiba rir e sorrir, uma mulher que... bom, normalmente vem descrita nos manuais como.. vejam lá vocês... Perfeita!!
P$ta de IRonia! Perfeito, perfeito é a minha presunção em querer uma mulher perfeita quando eu não o sou! Bah!
A mim, talvez me calhe um Heleno qualquer!
Porta fora com os manuais! Que esta coisa de pessoas e bis e heteros e homos dá um trabalheira dos diabos! Especialmente as(os) Perfeitas(os)!
Na minha opinião (jogando fora este mau feitio que não faz cá falta) acredito que passo grande parte do meu tempo a querer muita coisa. Não dou a mínima oportunidade aos que não cumprem estes requisitos. Nem a mim eu me dou oportunidade, quanto mais aos outros!
Pode ser que os tempos sejam de mudança. Ando a fazer as pazes com o meu passado, a resolver relações mal resolvidas e por ora tudo corre bem... confronto-me com devaneios do meu ego (tem dias que fica mesmo possuído, credo!) mas já lhe dou o desconto que merece... Penso sempre: "isso passa-te, deixa lá!"
Já decidi (hoje! A decisão pode ser modificada consoante o meu indomável mau-feitio!) que não vou esperar pela minha princesa (ou princípe) encantada(o)... pois como diz um grande amigo: "Talvez sejas tu a princesa encantada de alguém!" Que riqueza que ele é! nunca tinha visto as coisas nesta perspectiva! :)
Enfim... Tenham uma boa noite.
1 comentário:
Adorei, adorei, adorei...
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