28 de maio de 2010

A dor do outros.

As coisas que escrevo nem sempre vêm a propósito de qualquer coisa.
Mas o que vou escrever a seguir vem.

É um assunto sério e não vou permitir que a minha veia sarcástica ou irónica se torne numa variz troncular.
Há coisas com as quais não consigo brincar e uma delas é com a dor.

Episódio ocorrido há alguns dias atrás e do qual eu me esqueci. Até agora.

Caminhava pela rua e uma mulher, pesada, estava sentada no banco do jardim. olhava fixamente para um ponto no infinito.
No alto da minha arrogância pensei: "Credo! Que astral!". 
Naquele momento ela olhou para mim como se eu continuasse a fazer parte daquele ponto no seu infinito.
Em milésimos de segundos entrei e saí de um lugar que não desejo a ninguém.  
Um lugar de dor.
dor de impotência.
dor de desespero.
dor de perda.
Não.
Não é dor física. É muito mais que isso.

Foi isso que eu senti. Quando voltei à minha realidade (seja lá isso o que for) compreendi que existe muito mais coisas para além da busca constante da felicidade ou do relativismo da vida.
Há sentimentos tão ou mais fortes que o amor ou o ódio. Há a dor.

Eu não sei o que é a dor. Eu não sei o que é a desgraça. Eu não sei o que é o terror. Eu não sei o que é o choro compulsivo proveniente da dor. Eu não sei o que é o grito da dor.
Eu não sei o que é entrar num mundo e nunca mais poder voltar atrás, porque não há culpa, nem recalcamentos, nem ódio nem nada. Não há nada para além da dor.
Eu sei que a dor nos torna fortes. Eu sei. Qualquer um protege a dor que tem como se de um filho de tratasse. Eu sei.
Eu não sei, porque eu não sinto nada. Sortuda? Talvez. Ou talvez porque ainda não cresci o suficiente ou talvez porque morreria se sentisse uma dor como aquela que vi naqueles olhos. Por isso eu me pergunto:

Quem será a pessoa mais forte? Quem sente dor e vive ou quem não sente dor e vive?
Afinal, quem é que aqui sobrevive?

Há sentimentos que valem o que valem.
Mas estes, valem o dobro.
Porque nos torna o humano dos humanos.

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