Conversa ao almoço entre pai e filha:
- Temos de negociar.
- Pois temos.
Parece algo banal de se fazer.
Não é.
Especialmente quando é com o próprio pai.
Não porque não goste de regatear (porque gosto. Quer dizer, mais do que gostar, acho piada discutir preços e argumentar e fazer bluff e fazer teatro... essas coisas!) mas porque ele me ganhava sempre ao Monopólio.
Odiava!
Odiava quando ele ficava com a Rua Augusta ou a Rua do Ouro. Pior do que ficar com a Rua Augusta ou a Rua do Ouro era quando começavam a brotar hóteis naqueles terrenos!
Ficava p§tíssima da vida! Amuava, amarrava o burro, ia à falência, vendia tudo o que tinha, fazia empréstimos e quando só tinha a alma para vender é que desistia... já com as lágrimas nos cantos dos olhos e o beicinho a tremer porque tinha perdido! (Felizmente fui aprendendo a moderar o meu espírito perdedor e competitivo e a nunca vender a Alma! - "Foi o pai que me ensinou" - ).
Estas memórias de infância deixam marcas profundas numa pessoa.
Hoje quando o ouvi dizer: "Temos de negociar", toda eu tremi porque me lembrei imediatamente da porcaria do Monopólio.
Depois pensei: "Pronto, aqui está uma boa maneira de cresceres e ultrapassares certos medos estúpidos de infância. Tiveste um optimo professor, portanto, respeita-o e faz um negócio perfeito! De preferência A Ganhar!" (Não tenho mau perder mas detesto perder!)
Há dias que até é interessante crescer! Há dias que até é interessante ser independente e responsável pelos próprios actos. Há dias... não todos... mas há dias assim.
1 comentário:
Há que saber jogar com as cartas que temos.
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