Tenho 40 anos, a minha mãe tem 57 e o meu pai 58.
Não.
Tenho 25 anos, a minha mãe tem 42 anos e o meu pai 43 anos.
Novinhos, não é?
Eles dizem que são meus pais e eu acredito. Como acredito que o céu é azul para mim e para toda a gente.
Eles também dizem que tenho um irmão... mas eu tenho memória de uma irmã. E agora?
Acredito no que eles me dizem, naquilo que eu vejo ou naquilo que eu sinto?
Gosto de ostras e cigarros. Mas eles não me deixam comer nem fumar porque dizem que faz mal e é caro.
Eu acredito.
Eles dizem que a vida está pelas horas da morte. O dinheiro, o dinheiro...
Falam-me de um tal de Tomás. Ia casar com ele. Acho que ainda vou... eles dizem que ele é de boas famílias, gosta muito de mim, é muito bonito e me trata muito bem.
Eu acredito neles e por isso vou casar com ele.
Gosto de cozinhar. A minha mãe adora estar comigo na cozinha. A janela desta cozinha é pequenina e à frente tem prédios. Mas na minha cabeça (porque a minha mãe diz que as memórias estão na cabeça e não no coração... ou no fígado... ou nos rins...) a única imagem que vejo é uma cor verde com tonalidades castanhas... hum... e o cheiro a lenha queimada.
Eles dizem que não posso beber vinho. O meu irmão olha-me de lado quando, sem querer, digo que gosto de vinho. Acho que as mulheres não podem beber vinho. Eu acredito.
*
Que desgraça, não é?
Posso dizer que estas não são as minhas memórias (Graças a Deus!), mas que podem ser as memórias da minha vizinha do lado.
Fomos educados para acreditar no que os adultos dizem e no que os olhos vêem e não nos vestígios de outras memórias residuais. Seja lá o que isso for.
Sei lá eu porque é que gosto de cozinhar, de ostras, de vinho, de África, de mulheres... quando era suposto casar, ter filhos, ter um emprego fabuloso...
Pode manipular-se as memórias? Pode. Algumas. Podem fazer-me acreditar que isto não existe. Que é errado ser diferente.
Mas... São as memórias de um feitiozinho arrogante que não me fazem acreditar em certas e determinadas teorias. Sejam eles meus pais, meus irmãos, amigos ou outros que tais.
Ideia errada a vossa de que eu sou diferente. Não sou extravagante, nem mal educada. Se vocês soubessem como eu sou igual a muito boa gente que anda por aí, ficariam assustados. É quase tudo uma questão de memória...
Lembram-se?
Ideia errada a vossa de que eu sou diferente. Não sou extravagante, nem mal educada. Se vocês soubessem como eu sou igual a muito boa gente que anda por aí, ficariam assustados. É quase tudo uma questão de memória...
Lembram-se?

5 comentários:
Gosto tanto de ti ;)
Lamechices, Narcisa D'Almeida?
Vá, vá...
:P
lol és assim, não é? Quando uma pessoa é querida, és estúpida.
nunca mais!!!!!! :)
Lol.
Vá, vá... não seja assim!!
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.
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Lamechas!!
:P
E eu concordo tanto contigo!
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