E se levasses um estalo?
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Sim! Agora!
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Achas que abrias os olhos para a vida e te deixavas de tontices?
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Pronto, ok! Eu não me atrevo.
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É verdade, sim. Eu não acredito no uso da violência grátis para ensinar. Mas acredito e defendo com unhas e dentes a violência "enxota-moscas".
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O quê? Não me digas que a tua avó ou a tua mãe nunca te bateram à "enxota-moscas"! Isso é escandaloso!
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Com a colher de pau? Com o cinto? Credo! É agora. É agora que nunca mais vou conseguir olhar para a tua avó da mesma maneira.
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Eu explico. Nessa altura ainda não me conhecias, portanto não te lembras de como eu era rebelde. Rebelde no bom sentido, se é que isso existe!
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Não, não era como "O Bom Rebelde"! O meu Q.I. não era tão elevado! mas vá, deixa-me lá explicar o que é! Quando eu fazia asneira, a minha avó (ou a minha mãe), vinham lá da cozinha aos gritos com o pano da loiça em riste: "Rapariga, onde é que tu andas? Anda cá! Já vais ver como elas te mordem!". E vai de enxotar as moscas no meu corpo com o pano. Aquilo não doia. Mas assustava. Quer dizer, às vezes doía! Especialmente quando fazia efeito chicote. Nessas alturas tinha mesmo feito algo de grave! Coisa que não era assim tão invulgar. Enfim... Como podes ver, fui educada como os cãezinhos. Só que elas, para não chocarem a vizinhança trocaram o jornal por um pano da loiça.! Muito mais requintado!
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Pois, não me lembro. Ah! Já me lembro! Esta conversa toda do "enxota-moscas" veio a propósito do "queres levar um estalo, para ver se abres os olhos?"
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Sim, Sim. Já não temos a mãezinha e a avózinha a brincar de "enxota-moscas" connosco. E vaí daí (gosto tanto desta expressão, "E vai daí... coiso e tal") que aparecem as pessoas para nos educar. Mas é uma educação de pano invísivel. Só tens de te pôr a jeito para a aprenderes.
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É. É isso mesmo! Dás a mão à palmatória. Não tens de mudar a tua vida toda em função de uma qualquer aprendizagem, mas podes alterar certas premissas que, à partida, julgávas inabaláveis.
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Não, querida. Não estou a falar da tua natureza. Essa tu não podes mudar. Nem sequer tentar ou julgar... És tu e pronto! A ideia é: podes ser humilde para aprender. Podes ser humilde para respeitar.
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Adoras? Eu cá não adoro saber tudo na teoria. A teoria torna-nos estúpidos. Digo, a teoria sem a prática. A teoria de saber que uma tomada dá choque, não me serve de nada se nunca tiver sentido um choque! Vá, um choque ligeirinho... daqueles que só se sente os pelinhos levantar...
O mesmo acontece na vida. Se não tentar ultrapassar certos preconceitos, como vou saber que podem existir "pós-conceitos"? Não vou. O que importa é tentar! Infelizmente estamos quase todos destinados a cometer os mesmos erros...
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Posso responder-te a essa pergunta mais tarde? Sabes, é que existe uma coisa chamada trabalho!
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Não. Eu não me esqueço da pergunta. Se me esquecer, estás cá tu para me lembrares. Ide! Ide trabalhar!
7 comentários:
Fiquei muito confusa com esta conversa... (lol)
lembrei-me da minha mãe a bater-me estilo enxota moscas quando eu era miúdo. nem considerava aquilo bater...
Narcisa: Lol. Então porquê? Era uma conversa género telefónica. Em que só ouves um dos locutores. :) Ou seja, era só eu a falar. :)
Silvestre: Sim. :) É uma forma de bater muito sui generis!
Parece um diálogo de Ionesco.
Jaime Piedade Valente: Não conhecia tais diálogos de Ionesco. Até agora. Obrigada pelo comentário...
"Se não tentar ultrapassar certos preconceitos, como vou saber que podem existir "pós-conceitos"?" GENIAL!
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