Juro a pés juntos que a ressaca que tenho não é de gin tónico, vinho ou martini bianco. Bem que podia ser! Encharcava-me da F34 e de ameixas umeboshi e a coisa passava num tirinho.
A ressaca que tenho é de uma pessoa.
Apetece-me dormir durante horas. Apetece-me tomar duches quentes e frios. Apetece-me comer q.b. para me manter de pé. Doces, Os doces. Apetece-me ler horas a fio. Apetece-me fixar o olhar no infinito da parede branca do meu quarto. Acima de tudo, apetece-me silêncio dentro de mim.
Isto é uma ressaca de uma pessoa. E em nada está relacionado com saudades, com depressão, com arrependimentos, com choros compulsivos. O que fiz está feito e a certeza que tenho é profunda e verdadeira.
Mas no fim (se é que alguma vez houve princípio) existe sempre a ressaca do quotidiano. Não é grave. As coisas são assim mesmo. Vícios. Pequenos vícios que nos consomem a pele ao longo da vida. Esse maldito (bendito!) momento em que achamos que nos entregamos e a única coisa que sai de nós são meros resquícios do muito que podemos ser. E lá se vai mais um bocadinho!
Mas a (minha) vida é assim mesmo! São escolhas. As escolhas. Neste caso, bem feitas.
6 comentários:
Lá caimos no mote das escolhas...
:)
A ressaca é uma coisa tão fodida.
Boa sorte, darling.
:)
Podia haver um Guronsan deste tipo de ressacas. Sucesso garantido à farmacêutica...
Ulisse: Sim, o velho mote... e nesta altura tem sido que é uma coisa estúpida!
Narcisa D'Almeida: É. É só uns dias de ermita, mais nada! :D
Gotchyayinyang: Oh se elas descobrissem! Lol Lá se iam os psicólogos e psiquiatras e afins...
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