24 de agosto de 2010

Da veia utópica...

Já me aconteceu inumeras vezes. Já me debati com as minhas resistências e já prometi a mim mesma que tudo ia mudar. Para melhor, sempre acreditei!
Sempre fui positiva o suficiente para acreditar na utopia, na capacidade que cada um tem em ser aquilo que realmente quer. Mesmo não o sendo. Porque para um utópico é difícil ser apenas médico, ou advogado, ou engenheiro, ou florista... um utópico consegue ter pretensões a isto tudo. Um utópico tem um sonho e continua a sonhar...

*

São meras formas de engrandecer a vida face ao fardo que é viver a vida todos os dias. Eu devia ter nascido rica e pensadora. Devia usar vestes brancas, canudos emaranhados, delicados e com rasgos rebeldes, sandália no pé, uma taça de vinho, uma casa no campo, comida caseira e campestre e alguns amigos... amigos com quem conversar, amigos com quem trabalhar em ideias e ideais. Construir um lugar seguro e disponível para o mundo, onde não tivesse de esconder nada do que se assemelhe a fraqueza, onde se plantasse a beleza do espírito, do ser, da genuinidade de cada pessoa...
Onde as pessoas pudessem pensar em tudo, onde as pessoas pudessem ser eróticas, onde as pessoas não se rendessem a caprichos, a cíumes, a possessão exacerbados...

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É. Tamanha perfeição perdia a graça, não era?
Eu também já perdi a graça em tanta coisa, que não me importo de um dia ou outro me entregar a pensamentos banais como a minha veia utópica.
Tenho um instinto de perfeição. Mas é preguiçoso e falta-lhe entusiasmo para continuar, para combater as adversidades. Por isso, digo que devia ter nascido rica.
Porque não suporto a fealdade em todas as suas formas e feitios.
E todas estas coisas, umas vez mais sublinho, são subjectivas... desde a fealdade à beleza...

Não é da inveja que temo. Quem é que nunca sentiu inveja? Não passa de um acto de interiorizar aquilo que se vê... ora isso é a (in)(veja).
Do que eu temo realmente é esta capacidade de desistir dos sonhos, de achar que amanhã chegará algo melhor ou algo pior... esta inconstância de humores e sonhos.
Eu sei as respostas, eu sei os argumentos a todos estes sentires.
Mas falta-me essa capacidade de luta pela ambição.

2 comentários:

Anónimo disse...

são 5h32 a.m curiosamente e ao chegar a casa pensei subitamente que te deixaria novamente uma musica para deleite... e peço desculpa pq sim.. a minha vida é uma musica que vai sendo composta nessa pauta musical que é vida...mas não.. só me apetece egoistamente sorver a tua presença e apreciar a tua companhia .. para no fi ter o deleite de uma tão refeição completa. Ès tu, sempre tu.. das-me o prazer da tua idilica companhia num simples jantar?

YeuxdeFemme disse...

Caro ou Cara Anónimo/a:

Obrigada por palavras tão delicadas. Gosto muito das músicas que partilhas no meu blog.
Quanto ao jantar... como deves imaginar, nenhuma pessoa, mínimamente consciente, aceita de ânimo leve, jantar com um anónimo. Como tal, vou ter de recusar. De qualquer forma, obrigada pelo convite.

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