às vezes questiono-me com as perguntas cujas respostas são das coisas mais evidentes que existem.
Não é grave, nem é estúpido porque a ver bem é nas perguntas mais simples e lógicas que a dificuldade aumenta.
O segredo está em fazer a pergunta certa. E quem é que sabe qual é a pergunta? Eu não. Eu sou nova. Eu sou ansiosa por conhecimento e por partilha, portanto, eu só faço perguntas.
Essa coisa de politiquice não existe. Eu não acredito em política.
Eu não gosto de dinheiro. Mas dá-me jeito. Dá.
Fui ensinada a acreditar que ele me dá muitas coisas que o Amor e a Amizade e essas coisas todas muito lindas e bonitas não podem dar. Mais ou menos como terapia de substituição.
A culpa não está naqueles que me ensinaram. Coitados! Eles foram ensinados de igual modo. Entretanto esta coisa dos ensinamentos vira vício.
E um vício parvo.
Entretanto acreditamos que existe um banco qualquer que pode comandar a bel-prazer os nossos dinheiros. Dinheiros? O que é isso? E os colchões? E os pézinhos de meia? Ah, pois, isso já não se usa... diz que aquilo deixava um cheiro estranho no dinheiro, o que incomodava na troca do mesmo. É melhor juros. Sim. É melhor juros e dinheiro de plástico.
Talvez seja eu a utópica e a ingénua e a parvinha que não tem noção nenhuma do mundo. Talvez. Vai ver é por não ler o jornal todos os dias nem ter televisão em casa.
Sabem o que é? Não é por mal, juro que não é por mal, porque eu até gosto do cheiro dos jornais e da partilha de informação, mas é que aquilo dá-me medo. A vocês não?
Aquelas pessoas que escrevem estão apavoradas. E não é que essa coisa do medo se pega?
Mais 2%? Na prática isto não me diz nada. Até porque eles usam umas palavras estranhas como apertar o cinto e nas fotografias aparecem inchados como se comessem muito, todos os dias. Não têm assim um ar tão preocupado como as pessoas que escrevem e como as que lêem.
Secalhar é tudo mentira e as pessoas andam todas a ser enganadas.
Aí, eu pensei. Ver televisão devia ser um luxo. Ouvir rádio um prazer de adoçar os ouvidos com música e não publicidade. Ler jornais devia ser um motivo para debater ideias e não para lavar a roupa suja ou só para comunicar que o mundo está mal. Está muito mal.
Alguma vez deixou de estar?
A ver:
A mim, o que é que me interessa saber que o meu vizinho tem um BMW topo de gama e a dívida que ele me deve é muito superior ao preço do BM? Secalhar mandava-lhe uma pedrada ao vidro da frente, assim, como quem não quer a coisa... mas e depois? A vida ficava melhor? Não. Mas eu ficava. Mas era só eu. O gostinho do "quéremos a vingãnça", na boca.
Diz que aquilo a princípio é um sabor doce mas que depois é amaaargo! Sei lá eu... é o que os outros dizem. Não quero experimentar.
Depois penso.
Este lugar é bonito sim senhora. Tem uma luz bonita. Mas não gosto. Não, obrigada. Lisboa tornou-se um lugar estranho.
Vou mudar-me. Para onde?
Não sei. Sei de uma coisa. Com a certeza de uma utopia de quem ainda se atreve a sonhar.
Um lugar enconstado ao silêncio. Sim, um lugar onde haja silêncio para ouvir os cães ladrar no meio da rua, onde se oiça a chuva bater na terra, onde a terra seja fértil, onde o meu olhar não seja estanque no prédios que correm.
Onde crianças surjam descalças, sujas e transpiradas em cima de bicicletas sem mudanças. Crianças com um sorriso na cara por verem suas mães ou seus pais, ou sua mãe e seu pai com o almoço pronto em cima da mesa. "Meninos! Lavar as mãos, antes de comeeer!"
Pode ser. Parece-me bem.
Falar com o "Ti Manel" que a troco das melhores couves e batatas e cenouras da terra recebe consultas para atenuar as dores nas costas. Sem químicos. Quer as batatas, quer os medicamentos/tratamentos. Químicos são para coisas graves. Gravíssimas. Não queremos infestar as veias do corpo e do mundo.
Jantar às 19h. Sempre. Ora fixa! Nem mais 5m, nem menos 5m.
Amanhã fazes tu o jantar, amanhã faço eu. Sim, amanhã limpas tu o quintal e despejas o lixo e eu vou tratar das galinhas e dar comer aos animais. Depois trocamos. Pode ser. Pode. As crianças ajudam.
Dias de leitura. Dias de conhecimento. Dias de música. Dias de caminhadas a outras terras, a outras gentes. Por entre árvores e arvoredos e horizontes de perder de vista.
Dias não, mas longos momentos de NÃO fazer rigorosamente N-A-D-A!
Dias em que o correio chega à tarde e nos entrega a correspondência escrita à mão e livros e música.
É uma vida bonita, não é?
É perfeita? Obviamente que não. Todos já deviamos ter percebido e interiorizado que na vida, nada é perfeito.
Mas é uma vida melhor, não é?
É. E não é utópico. Nem impossível. É só uma questão de coragem, de perder o medo e ir e fazer. Porque a vida pode melhorar. Não precisamos de nenhum messias que nos salve...
Pronto. É só isto.
Alguém quer vir?
4 comentários:
:)
és nova? não há problema, quanto a só teres perguntas tb não há azar, pelo contrário, como dizia o grego: 2Da dúvida surge a sabedoria."
bjs
Sou nova.
Há quem duvide. LoL. Mas eu não. :P
Sim, também não creio que seja um problema. Muito pelo contrário. ;)
Eu quero!
@Xaxão: Vamos embora Xaxão! :)
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