Lembraste daquela pomba lindíssima do meu quintal?
Está novamente ali.
Tenho dúvidas que seja a mesma. Esta tem um ar distraído, desengonçado...
Dá-lhe um charme tamanho!
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Vagueio entre o ajoelhar-me aos teus pés e o sentar-me e deitar-me ao teu lado. Afastada, junto... longe! O teu olhar diz-me a distância que queres de mim...
Um olhar que varia entre a repulsa, outras vezes raiva, nojo, desilusão, desespero, dor, mágoa, apatia, amor...
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Vem comigo pisar a areia da praia de fim de tarde. Vamos ver as mini gaivotas nervosas a correrem e ganharem balanço para o primeiro voo. É um cair e um levantar que nunca mais acaba. Vai agora! Não agora! Agora! Ei-las a tropeçar no grão de areia e catrapum, areal!
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Gostava de dar uso a toda a minha eloquência, usar a minha retórica... mas as palavras não valem um chavo! Não valem! Sou um bobo envergonhado, vaiado e de calduço na cabeça a todo o momento. Mas já nem isso me serve! Já nem a vergonha e a culpa e o ser vaiada me servem seja do que for...
Neste momento não tenho nada a perder! Nada! Por isso restam-me os sete ventos e o tempo! Vou gritar que te quero, que te amo a todo o momento, vou escrevê-lo na paredes da rua, nas pedras da calçada, nas pontes, nos bancos do jardim.
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Se um dia voltares a amar-me, se um dia voltares a confiar em mim que o sintas de coração aberto. Demore o tempo que demorar... Como te disse: a mim restam-me os sete ventos e o tempo! Tenho de sobra.
Continuo no lugar onde me deixaste da última vez que me viste e te viste com um brilho nos olhos.
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