De pés descalços caminhei entre aqueles ramos secos do chão.
Cheirei o verde das árvores.
Passei por abelhas atarefadas e nem uma me picou.
Atravessei pequenos riachos sujos de lama barrenta e fria.
Gritei ao azul do céu na esperança que O algo me ouvisse.
Ninguém respondeu...
continuei a gritar por entre as copas altas e vertiginosas...
Nada, se não o meu eco...
Desisti de gritar e ajoelhei-me na terra seca. Agarrada ao meu ventre vazio e dorido.
Chorei para apagar memórias.
Sujei as mãos de pó e rezei.
Sentia o meu corpo sujo, a minha alma suja.
Rezei até adormecer entre as formigas que se alimentavam da minha dor.
Há quem se alimente da dor!
Sussurei-lhes que a levassem toda.
Não precisava dela.
Elas eram muitas. Todas pretas, todas elas subdivididas em três partezinhas iguaizinhas...
Não me ligaram nenhuma e deixaram grande parte da dor lá. Disseram para voltar amanhã que tratavam do resto... Que iam precisar de muito tempo!
Amanhã apareço novamente.
Sozinha.
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