23 Fevereiro 2012
(Banda sonora em Bon Iver - Holocene)
Estou quase a fazer um mês de cruzeiro. Um mês que parece um ano. O balanço é, na sua maioria, positivo. Quando tudo é novo, tudo é maravilha!
Aos poucos começo a acalmar esta ânsia de querer saber tudo, de querer perceber tudo, de querer absorver tudo. Aos poucos também eu deixo de explicar tudo, de contar tudo. Talvez porque perceba que maior parte das pessoas que vivem aqui se vestem todos os dias de carneirinhos para caçarem a presa mais indefesa. A vida não é tão simples como parece.
Entro no elevador, recebo um bom dia estremunhado do primeiro crew que encontro e pouco mais. Não é preciso mais. As pessoas passam a vida a queixar-se… disto, daquilo, do outro… o ambiente no Spa, por vezes é de cortar à faca… umas porque não gostam do manager, outras porque discutiram com o namorado, outras porque estão cansadas e gordas (quando vou encontra-las a comer que nem uma doidas – como se não houvesse amanhã minha gente! Como se não houvesse amanhã!!) e ainda aquelas que suspiram o dia inteiro sabe lá Deus porquê…
Hoje falei com a minha mãe. O telefonema inteiro estive em pleno controlo para não desatar num pranto. Sempre achei que era desligada da minha família que era perfeitamente capaz de viver longe… Agora… sinto tanta falta deles que até dói! Momentos que só me apetece agarrar nas minhas coisinhas e voltar para o aconchego e refúgio do lar entre família e amigos.
São os momentos que me sinto mais só. Percebo que apesar de gostar de estar só, de fazer coisas sozinhas, sou cada vez mais uma mulher de família. Quero ter filhos, casar, amar ser amada (lálálá!! Violinos ao rubro!!) e quiçá uma vida pacata, com uma loucura aqui e ali.
É o que sinto e é onde me vejo dentro de poucos anos.
Se me estou a queixar da vida que tenho agora? Não. De todo! Não me vejo em mais lado nenhum. Tudo o que fiz até agora trouxe-me a este lugar, árido e solitário na alma, mas de uma beleza extrema lá fora. Basta olhar com atenção. Eu escolhi estar aqui. Os lugares que vejo são paradisíacos e é lá fora que me desembaraço de todo o peso que existe no navio. Hoje, por exemplo, conheci uma senhora com os seus quase 80 anos que viajava mais as três filhas. São do Québec. Montreal. Partilhámos o mesmo táxi que nos levou a uma praia de areia preta. O raio do taxista falou que se desunhou e nenhuma de nós percebeu a ponta do que o homem dizia! Hilariante!
Sabem do que elas me fizeram lembrar? Da série “Irmãos e Irmãs”! O tipo de energia… À senhora de quase 80 anos só apetecia dar beijinhos… cheguei a dizer-lhe: “quero ser como tu quando for da tua idade!”.
Foi muito bom encontra-las. Deram-me esta lufada de família.Vou trabalhar para me distrair.
Tenho tanta coisa para aprender que até “chateia”! J
Tenho tanta coisa para aprender que até “chateia”! J
(Amanhã será o dia dos teus 30 anos.)
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