Ensaio 1
-"Era neste momento que queria ter um barco…”
-“Para?”
-“Para ir…”
Que outra resposta poderia haver?
A sua necessidade de liberdade, de silêncio, de distância, de sossego era contagiante. Como se, através de um diálogo tão simples quanto aquele, eu pudesse sentir o lugar longínquo, entre o mar e o céu, onde se sente o peso do silêncio e onde as almas solitárias gostam de navegar.
Há momentos que viver todos os dias cansa.
Há momentos que todos nós temos vontade de dizer ao mundo para parar de girar e nos dar apenas aquele instante de paz. Não é sinónimo de infelicidade, de tristeza, de incerteza, agitação ou desespero mas unicamente de… vontade de silêncio.
Se pudesse teria lhe oferecido o barco… a bússola… o borda-d’água (dá sempre jeito ter um por perto!). Teria dito o que, provavelmente, já saberia… “ Por mais direcções que tomes, o melhor norte será sempre o regresso a casa.” Não me custaria ver a partida. Sei que voltaria...
Os seus olhos mostravam a intensidade da sua alma! Gostei do que vi. Alegrou-me o seu sorriso sincero e franco. Não há tempo, nem espaço que expliquem estas coisas. Não me incomoda, não lhe poder ter dito isto verbalmente, bastou-me senti-lo e compreende-lo sem o erro das palavras!
À beira mar, deixámos que o vento trespassasse os nossos rostos e calasse a nossa voz. E ali ficámos… Não tentei compreender os seus motivos, as suas motivações nem o que sente… prefiro reter em mim esta fonte de liberdade… a intensidade da sua alma... o sorriso sincero e franco… Não espero e não quero mais nada do que isto...
Obrigada.
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