8 de outubro de 2008

Não há pessoas Erradas.

No blog Sembikini, foi publicado um post cujo tema é: "Apaixonamo-nos pelas pessoas erradas?". A autora do post é, Satya.
É sobre ele que vou reflectir.
Não acredito em pessoas erradas. Não acredito em erros, mesmo que seja hábito usar frases como: "É preciso errar para crescer!", "É com os erros que nós aprendemos".
Acredito no reconhecer do ensinamento que nos é dado em determinada relação, acredito nas expectativas negativas e nas expectativas positivas. Parece complicado... por vezes torna-se!
São ideias que, ao longo dos tempos, tenho trabalhado, usado e baralhado com outras teorias que me vão surgindo através de livros, de pessoas e principalmente da minha (devo dizer, pouca) experiência.
Não é minha intenção fazer das relações humanas meras experiências que devam ser dissecadas, para que as possamos entender. Porém, parte das pessoas que se interessam em perceber os porquês, tendem a procurar todas as razões que possam justificar um "mal de amor".
Como em tudo na vida é necessário contextualizar.
A pessoa que se apaixona.
A pessoa por quem se apaixona.
O meio que as envolve.
Nos tempos que correm, o facto de termos alguém é quase uma urgência. Sentir paixão, sentir amor, sentir cumplicidade, intimidade são sentimentos que queremos estar constantemente a sentir. E caríssimas/os, devo informar que é impossível! Isso leva-nos a criar expectativas incorrectas. Aquelas a que eu chamo de expectativas negativas.
Neste caso, somos basicamente influenciados pelo outro, por aquilo que ele aparenta ser, pela sua beleza, pela sua forma de andar, pelas suas mãos, pelo seu olhar tão profundo que nos lê alma, pela sua inteligência que nos arrebata os sentidos, pela sua intensidade de ser e querer a vida... pela compreensão que ele/a nos dá! Quando assim é, deixamo-nos levar pelo encantamento, pelo acto de sedução ou mesmo pela necessidade animal de estarmos unos com alguém. Esperamos e queremos tanto que nos convencemos que estamos a amar. Quando não passa, exclusivamente, de um mero encantamento. Nesta situação esquecemos aquilo que somos, em função do outro. Atenção, que não estou a julgar estas atitudes. Todos nós as temos e cometemos.
As expectativas positivas são as que se seguem depois de sermos sinceros connosco próprios e consequentemente com o outro. Talvez estas venham com a aprendizagem ao longo da vida. Aprendemos a esperar calmamente e não eufóricamente, desesperadamente ou apressadamente. Ou seja, é uma atitude que parte de dentro para fora e não de fora para dentro. A partir daqui existe o reconhecimento, isto é, sermos capazes de nos deixar influenciar de uma forma saudável pelo outro e não fazer disso uma "tempestade num copo de água".
Como já disse em textos anteriores, "não somos uma ilha em nós mesmos"!
É importante perceber os ciclos que vamos encontrando. É preciso modelar defesas à medida que vamos crescendo e não deixar que elas se ergam como barreiras que nos tornem pessoas frias. Sabermos e aceitarmos que as nossas defesas/cicatrizes, por vezes, precisam de ser tocadas para sabermos que elas existem (por isso é que caímos inúmeras vezes no mesmo buraco ou no raio da pedra que estava a meio caminho!). Se é um acto massoquista? Não creio. É um acto humano. Vou usar um exemplo prático que Satya usou no seu texto. "Esfolar os joelhos". (Curiosamente foi, também, uma ilustração que já utilizei em texto anteriores!)
Quando caímos e esfolamos os joelhos pode acontecer:
  • Chorarmos e ficarmos ali no chão até que apareça alguém (caso não apareça, resta levantar e seguir caminho);
  • Chorar e levantar a chorar;
  • Fazer uma cara feia e dizer "auch! F*** que isto dói!";
  • Cair e levantar muito rápido (tipo mola!), para o caso de haver alguém ver;
  • Rir a bandeiras despregadas e seguir caminho.
Invariavalmente, situações como esta, acontecem uma quantidade de vezes durante a vida. E se não prestarmos atenção à forma como reagimos às quedas, ficaremos seres com lesões dolorosas na articulação do joelho. Tipo velha/o da cidade, que se enfia nos centros de saúde a falar das maleitas do corpo e da alma.
Contudo, aqui, não há atitudes, nem boas nem más. E obviamente a ferida estará sempre lá. Quanto a isso não há volta a dar! Se ficamos com uma marca? Que mal é que tem? Não somos nós feitos, também, de cicatrizes? De pequenos beliscões no ego e na alma? Precisamos disso para nos sentirmos vivos. Essa é uma condição humana. Não é propriamente algo que se possa escolher. Dito assim parece fácil, não é?

Posto isto, e sendo esta a minha reflexão, deixo um vídeo que faz um tributo interessante ao amor:
(Trabalho sobre a "Expressividade", para a disciplina de multimédia, realizado por alunas da UL. A Música chama-se: Sempre para sempre dos Donna Maria.)

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