Ensaio
Era uma tarde de Outono. Restava um céu azul, com aquelas misturas quentes de um pôr do sol de mais um dia que acabava. A brisa amena relembrava os dias idos de Verão. Aquela extensão de relva fresca não tardaria a ficar deserta de pessoas.
Mas eis que se começa a pintar, à minha frente, um dos quadros mais bonitos que já vi.
Uma mulher de beleza natural, sorria... sorria como se fosse o ser mais feliz do mundo. Talvez não fosse o sorriso... talvez fosse o olhar destinado a uma criança que brincava à sua frente.
Nisto oiço a pequena criatura gritar: "Mãeee!" enquanto fugia a correr para os seus braços. Provavelmente assutou-se com um bichito que por ali andava também.
A mãe abraçou-a. Falou-lhe calmamente e em menos de dois minutos, a menina voltou a brincar distraída, no lugar que tinha deixado momentos atrás, assustada. Não tenho ideia do que disse ou do que aconteceu ao certo, mas aquele amor que eu vi nos olhos daquela mulher é indíscrítvel.
Lembro-me que pensei: "Acho que esta é a mulher mais bonita que alguma vez vi!" Exactamente no instante em que acabo de pensar isto, ela olhou para mim. Estremeci mas não desviei o olhar e ela também não. Foram segundos que pareceram uma eternidade. Sorriu para mim. Retribuí e deixei-me ficar a observar.
Quis falar-lhe e sinto que ela também teve a mesma vontade. Mas não o fizemos. Acabou por se ir embora primeiro que eu e o único diálogo que trocámos foi:
"Tenho de ir. Está a ficar frio para a menina. Tem uma boa noite. Obrigada." Disse-me.
"Compreendo. Obrigada, eu. Tem também uma boa noite." respondi.
Talvez hajam encontros que devam ficar assim mesmo. Talvez exista uma compreensão e uma cumplicidade que não passe disto mesmo. Um reconhecimento de olhares. De almas. De cheiros.
Obrigada.
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