A matriarca tem um passo firme. Um conhecimento sábio, mais do que isso um conhecimento intuitivo e por isso humilde. Estou a duas pegadas atrás de si, seguindo o seu ritmo. Quero guardar cada pensamento que se solta do seu silêncio. Aqui a terra é castanha, cor de mel. Não existe água, não existem árvores nem comida. Ao longe, o calor confunde a nossa visão com as suas ondas. A mim dá-me uma ideia de miragem. Sei que me deixo enganar por aquilo que os meus olhos vêem. Apercebo-me da minha inexperiência e sei que ainda não confio na minha intuição.
Sou um elefante fêmea e isto é África. Estamos longe do paraíso primaveril das sav
anas… onde conhecemos todas as espécies que também chegam de lugares tão longínquos quanto os nossos. Estas viagens são o que nos move. Criamos e procriamos. Asseguramos o nosso lugar no mundo. Ao lado da minha matriarca sinto o seu poder. O poder da sua responsabilidade. Gostava de sentir o que a orienta neste lugar de perder de vista. Talvez o vento… talvez o cheiro… talvez a luz do sol… ou talvez a sua vontade de nos salvaguardar e salvar. O que seriamos de nós sem ela? Parece-me tão estóica… Será que nunca lhe dói as patas? Será que nunca lhe dói a coluna? Será que nunca quis desistir de tamanha responsabilidade?
Fui aceite na manada por sua causa. Ela é pouco mais velha que eu. O suficiente para a sua voz ser ouvida por todos os outros. Todos a respeitam. Isso implica escutá-la. Eu tinha sido abandonada pelos meus… e eles acolheram-me como um dos seus. Todos eles. Não são sangue do meu sangue, mas são alma da minha alma.
A cada passo que dou, a minha pegada reflecte-se no chão. O vento não vai tardar em apagá-la. Daqui a uns meses a água também irá torná-la esquecida, nas memórias de todos. Não me preocupa. Não somos imortais mas somos insubstituíveis.
Continuamos a caminhar…
Sou um elefante fêmea e isto é África. Estamos longe do paraíso primaveril das sav
anas… onde conhecemos todas as espécies que também chegam de lugares tão longínquos quanto os nossos. Estas viagens são o que nos move. Criamos e procriamos. Asseguramos o nosso lugar no mundo. Ao lado da minha matriarca sinto o seu poder. O poder da sua responsabilidade. Gostava de sentir o que a orienta neste lugar de perder de vista. Talvez o vento… talvez o cheiro… talvez a luz do sol… ou talvez a sua vontade de nos salvaguardar e salvar. O que seriamos de nós sem ela? Parece-me tão estóica… Será que nunca lhe dói as patas? Será que nunca lhe dói a coluna? Será que nunca quis desistir de tamanha responsabilidade?Fui aceite na manada por sua causa. Ela é pouco mais velha que eu. O suficiente para a sua voz ser ouvida por todos os outros. Todos a respeitam. Isso implica escutá-la. Eu tinha sido abandonada pelos meus… e eles acolheram-me como um dos seus. Todos eles. Não são sangue do meu sangue, mas são alma da minha alma.
A cada passo que dou, a minha pegada reflecte-se no chão. O vento não vai tardar em apagá-la. Daqui a uns meses a água também irá torná-la esquecida, nas memórias de todos. Não me preocupa. Não somos imortais mas somos insubstituíveis.
Continuamos a caminhar…
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