

Passeiam-se as duas lá para os lados de Sintra.
Eis que surge uma pergunta.
Eis que surge uma pergunta.
- Será que tu és eu? – Pergunta “uma delas”.
- Pronto, já cá faltava! Tu e as tuas perguntas de criança que não sabe estar calada! “E se, e se? E como? E Porquê?”… não consegues pensar em mais nada sem que a frase tenha um ponto de interrogação no fim? Não te estava a saber bem o silêncio?
- Hum… Porque é que tu em meia dúzia de palavras que dizes podes fazer duas perguntas e eu assim que faço uma, parece que cometi um homicídio?
- Não exageres, ok!
- É verdade… Mas não respondeste à pergunta que te fiz…
- Tenho mesmo de responder agora?
- Podíamos aproveitar este tempinho em que estamos só a duas, que é te parece?
“A outra” respira fundo em busca de uma inspiração qualquer para responder àquela pergunta, no mínimo, impensável!
- Só tu para me fazeres essa pergunta a esta hora… Dá-me uns segundos que já te respondo.
Fez-se um pequeno silêncio, enquanto “uma delas” olha para a Serra que hoje se vestiu de prateado.
- Não consigo responder a isso! Por mais que procure a resposta... Sim, também eu já me tinha feito essa pergunta. Sabes? Tenho de te dizer uma coisa. Percebi que não consigo viver sem ti.
“Uma delas” sorri com um ar brincalhão e dá-lhe um pequeno empurrão, enquanto lhe diz:
- Ena! Isso foi quase uma declaração… Não estava à espera de uma resposta dessas. Sim, você que tem a mania que é forte e resiste a tudo, que é independente e segura… Estou impressionada!
- Não sejas parva! Estou a falar a sério.
- Eu sei querida. O facto de não conseguires viver sem mim significa que tu e eu somos uma?
- É provável… Que seria de mim sem as tuas perguntas?
- Não sei.
Caminham as duas no mesmo passo. Sentem que perante aquela imensidão da Serra conseguem encontrar aquele momento de silêncio que ambas lutam por, todos os dias, encontrar. “Uma delas” com as suas perguntas que ninguém lhe consegue responder e a “outra” com as respostas que não consegue dar, por mais que se esforce.
1 comentário:
Yupi!!! Voltas-te :)
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