27 de dezembro de 2009

Sem dó nem piedade

Aos trambolhões saía porta fora, com a mãe ao berros lá do fundo da casa!
Montava a mota de engate fácil em direcção à estrada alcatroada pelos civilizados.
Antes de chegar lá, os seus cabelos emaranhavam-se pelo pó que surgia da velocidade. Deixava que o tronco despido se sujasse por cada partícula de vento amarelo e mosquitos que se esborrachavam contra ele.
Seguia sem dó nem piedade.
Ao céu azul turquesa e ao cheiro a flores campestres não lhes ligava a mínima importância. Era terra da sua terra. Terra das suas entranhas mais animais e cruéis. Como se a aldeia que o viu nascer fosse a sua alma inteira, até ao momento em que tudo lhe escapava ...

Inspirado em:
Rodrigo e Gabriela - Tamacun

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